"Por que as pessoas insistem tanto em que os outros façam o que não querem fazer? Amizade? Egoísmo? Ora um caso ora o outro? Qual será o maior egoísta? O que não faz o que os outros querem? Ou o que insiste em que os outros façam o que não querem fazer? Difícil decidir. Talvez... talvez o segundo, porque está sempre tomando iniciativas egocêntricas, desrespeitando os desejos dos outros. Mesmo quando motivado por amizade, desejando sinceramente que os outros tenham prazer, ou desejando sua companhia, talvez esteja sendo egocêntrico; talvez esteja falhando em se colocar, realmente, no lugar dos outros; talvez esteja projetando seu ego para os outros esperando que eles pensem e ajam como ele próprio. A amizade pode ser sincera, mas o egocentrismo (sutil, inconsciente) é concomitante e forte. Se não houvesse egocentrismo, a amizade o levaria a sentir-se feliz em que os outros fizessem o que realmente quisessem fazer.
Convidar? Sim. Insistir a ponto de constranger? Nunca! Um convite? Amizade. Insistência constrangedora? Egoísmo. Amizade? Então respeito à prerrogativa dos outros de ser e viver á sua maneira.
Prerrogativa de ser e viver... Não conheço maior justiça, nem mais amorosa lei: SER E DEIXAR SER; VIVER E DEIXAR VIVER. Verdadeiro lema a ser praticado pro todos os que de fato desejam um mundo
É... A gente roda, roda, e cai sempre nesta mesma causa maior dos problemas humanos: o EGO! E o curioso e estúpido da situação é que esse ego não existe! Isto é, não é uma coisa, uma substância, ou um ente. É um mero fenômeno de consciência, sensação psicológica de individualidade. E pensar que nisso que não existe, que é impressão psicológica, criamos nós mesmos o monstro que nos devora..."
(O Cochilo do Guarda do Pêndulo – O Espírito do Espaço, Zaneli Ramos)

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